"Caminhar...
é o mais singelo dos movimentos
para chegarmos onde queremos. É olhar o tempo e analisar a vida
em complemento para nos tornarmos mais maduros. É sonhar uma forma melhor de viver e a única maneira de buscar ser feliz." Mário Pires
É isto que nos une e o motivo pelo qual somos os Caminheiros Monte da Lua
Nem a hora madrugadora, nem a chuva arreliadora impediu os caminheiros de realizarem este belo passeio familiar organizado pelo companheiro Álvaro. Consulte
Hoje saímos de Colares por volta das 9h. O tempo acordou chuvoso mas à medida que as horas se desenvolviam o sol aparecia. Fizemos todo o percurso com um dia aberto, soalheiro e propício a uma boa caminhada
Saímos de Colares em direção à Adraga. Após longa subida descemos por um caminho de areia cercado de sebes vivas de cana ou caniço. Voltámos a subir e atravessámos vistas deslumbrantes de mar. A área agrícola do vinho ramisco é diminuta, mas vê-se novas iniciativas de plantação de parreiras novas. Sente-se que a zona de antiga humanização, depois abandonada, volta a ter, ainda que de forma tímida, novas iniciativas.
Após caminharmos sobre arribas frondosas é, com um enorme fascínio que, entre dois montes enormes, surge o azul do mar da Adraga.
Em virtude desta estar entre duas montanhas colocou-se a dificuldade da descida através da arriba do lado Norte. Após algumas hesitações, todos completaram o difícil percurso.
O local é lindíssimo. Conjuga-se o ambiente de montanha com o de praia.
Na praia sente-se o perigo do mar. Após um breve encontro com dois pescadores, sentirmos a areia, o vento e o mar, saboreamos os suculentos lanches. Deliciamo-nos com o enquadramento do espaço. Areia. Mar. Montanha. Sol… muito sol e luz… São estes pequenos deslumbramentos que hoje, dia mundial do sorriso nos fazem sorrir de felicidade. Para quê "esta coisa do dia mundial de …." Há um dia mundial para tudo… até para o sorriso… como se não fosse importante sorrirmos todos os dias….enfim…seguimos em direcção à Iguaria.
Chegados à Iguaria percebe-se o cuidado na preservação da aldeia. Organizada. Cuidada. Preservada. Agradável. Bonita. Sente-se que estamos numa zona protegida ou não estivesse inserida na área do Parque Natural de Sintra-Cascais. Interrogo-me. Porque não encaramos todos os locais como uma “Iguaria”? Porque não os protegemos? Não os cuidamos? Não os tornamos bonitos e agradáveis?
Deixámos a Iguaria e tomámos a direcção da aldeia do Penedo. Fizemos a caminhada pelas suas ruas e ruelas íngremes e sinuosas com casas de traça antiga que nos transmitem a imagem de uma aldeia preservada. Passámos pelo fontanário bem tratado e conservado, demonstrada pelas figuras recortadas no buxo
Chegámos a Colares eram 12h 30m. Percorremos uma extensa mancha verdejante, preservada e, embora não possua parques ou jardins públicos dignos de nota, é sempre um deslumbre percorrermos esta área do Parque Natural de Sintra-Cascais. Ajudem a preservar esta pérola. This is my land...
A zona do Belas Clube de Campo foi hoje o nosso destino. Saímos
do Largo do Jardim 25 de Abril em Belas às 9 horas em ponto e, após um breve percurso
urbano infiltrámo-nos na Serra da Carregueira em direção ao Belas Clube de
Campo.
No trajeto sente-se uma envolvente de grande riqueza natural
e vestígios de uma forte tradição histórica, que em tempos foi muito usufruído pela
realeza. Transcrevo um breve relato do Marquês de Marialva e que nos transporta
para o século dezoito:“O Paço, bem como os jardins, cobertos de
flores, escondem-se no meio de uma mata com grandes árvores, laranjais e
imensas murtas. Pelas moitas havia orquestras e os brilhantes pavilhões, todos
iluminados no meio da escuridão da espessa folhagem, eram como edifícios
feéricos…os Portugueses, quando a oportunidade se lhes oferece, perdem a cabeça
com divertimentos.” (Marquês de Marialva, em Julho de 1787).
Atravessámos a serra. Cruzámos "bttistas" e "motoquatrista". Subimos e descemos. Desventrámos "a selva" e, ligeiramente cansados, pelas 10h50m estacionámos, no verdadeiro sentido da palavra,
numa encosta com uma agradável vista, onde desgostamos os nossos lanches. Não sabíamos
muito bem a nossa localização pois as opiniões variavam em relação ao espaço
que observávamos. Pelas 11h15 retomámos a nossa marcha.
Contornámos o campo de golfe do Belas Clube de Campo. O
espaço convida à descontracção e ao convívio. Senti que é um espaço onde toda a
família pode partilhar as actividades ao ar livre e os amigos conviverem de uma
forma agradável, no entanto a parte urbanística pareceu-me desordenada e
algumas casas de construção descontextualizada do espaço, um pouco ao critério
e vontade de cada proprietário.
Nos limites do Belas Clube de Campo e após uma ligeira indefinição
de percurso o Francisco, Jerónimo e João perderam-se. Rui, Zé e Tina após “recuperarem”
os perdidos também se perderam. Logo a maravilha tecnológica móvel começou a
funcionar e após breves contactos deslumbrámos o soldado Agostinho que vinha no
encalço dos perdidos. "Achados os Perdidos", todos juntos continuámos o regresso aos
Fofos de Belas
Após passarmos pelo aqueduto, e através de paisagens bucólicas regressámos seguindo o rio
Jamor. Cerca das 13 horas estávamos a comprar Fofos.
Foi um passeio muito agradável e para que não nos destruam as
belas paisagens que hoje conseguimos desfrutar deixo-vos algumas imagens para comentarem.
Hoje fizemos um passeio com alguma ruralidade. Cheiros intensos e bonitas paisagens.
Pelas 9h saímos de Olelas. O tempo mostrava-se incerto. Saímos em direcção a Morelena – Pero Pinheiro. Ao avançarmos vai-se sentido que a ruralidade vai dando lugar à indústria da pedra… muita pedra… sobretudo pedra calcária. Após uma “ligeira chuvada” chegámos às pedreiras de Morelena. Lembrei-me que estávamos a pisar terra que os dinossauros pisaram! Imaginei como seriam aquelas terras no período jurássico ou neo-jurássico… provavelmente terras férteis, árvores frondosas e mais próximo do mar… Pelo caminho vê-se terrenos imensos com ligeiras culturas de sequeiro e bastantes reservas de caça. Vê-se coelhos, chamarizes de caça, ratoeiras. Senti que pisava terrenos pré-históricos, depois usufruídos por árabes (nomes como Albogas, Alfouvar, Almargem do Bispo, Almornos … faz-nos perceber que os árabes também estiveram por aquela região). Mas senti que apesar de todo o movimento que existiu em tempos, somos nós, os Europeus que estamos a abandonar aquelas terras. Sente-se alguma desistência. Terras abandonadas. Pedreiras a céu aberto, sem actividade. Casas em ruína. Tive uma sensação de completo abandono daquelas povoações e, pelas abundantes reservas de caça direi que aquelas terras estão “entregues aos bichos”. É pena! Regressámos rodeados de paisagens abertas, muito bonitas, e cheiros inebriantes mas… vazias de pessoas. Após percorrermos cerca de 13 Km e pelas 12h30m chegámos a Olelas. Como consulta sugiro: http://www.jf-almargemdobispo.pt/articles/localidades/olelas http://www.jf-almargemdobispo.pt
O percurso gravado pelo Álvaro: (Obs: Se quiserem ver o percurso com maior detalhe... carreguem na VAQUINHA...)
Na baía de Cascais
Avistei ao longe um barco a arder
Perguntaste porque o sonhava
Olhei ao céu, não pude responder Vejo o mar nos teus olhos Ao contar-te velhos quadros Das viagens, que o mar soube esconder Eu pinto esta baía assim E são mil cores ao pé de mim Nesta baía eu descobri Tantas imagens perto de mim Só, no cais Vou recordar esse teu olhar à deriva no mar Lembro o mar nos teus olhos Ao deixar neste quadro a saudade, depois de te perder Eu pinto esta baía assim E são mil cores ao pé de mim Nesta baía eu descobri Tantas imagens perto de mim
Hoje o grupo encontrava-se um pouco reduzido, no entanto tivemos na nossa companhia dois novos caminheiros.
Saimos da porta de armas do quartel da carregueira pelas 9h 15m.
A hora mudou para a hora de verão e em função disso o Marçal e esposa chegaram às 9h 40m. Já o grupo tinha partido...
Contactado o Luís Morais pelo telefone logo se resolveu o problema. O Luís Morais e o Rui Hilário foram ao encontro dos caminheiros atrasados, para os incorporar no grupo. O restante grupo seguiu com a Carla que conhecia bem o terreno.
Encontrariamo-nos no moinho. Foi o que aconteceu.
Pelas 10h 30m junto à prisão da carregueira fez-se a junção do grupo. Estava tudo de novo agrupado e prontos para prosseguirmos a caminhada.
No moinho, um pouco degradado, fizemos uma ligeira paragem para o tradicional "lanche". Confraternizamos com um grupo de simpáticos "bttistas" e contemplamos em todas as direções um lindíssimo vale, com uma panorâmica fantástica onde se observam entre outros a base aérea n.º1, a serra de sintra, a casa de saúde do telhal, as povoações limitrofes, cacém, rio de mouro, mercês,... eixos rodo e ferroviários.
No percurso de regresso o Carlos Teixeira e a Ana Catarina perderam-se. Após uma breve e rápida "pesquisa" regressaram ao grupo.
A finalizar a Maria José Nascimento (festejou o seu aniversário no dia de S. José), quis contemplar os seus companheiros de "route" com umas soberbas cavacas. Obrigado Zé! Foi um passeio muito agradável, num dia soalheiro, a cheirar a primavera.
A finalizar deixo-vos uma chamada de atenção e um apelo ao salvamento da serra da carregueira suportado pela associação olho vivo. No sitio da referida associação, poderão obter alguma informação sobre o esplendoroso maciço que ainda conseguimos usufruir. Não deixem que ele acabe.
"Apesar da beleza e riqueza do património existente, a Serra da Carregueira está em risco de ser urbanizada. São mais de 700 ha que poderão passar em breve a ser ocupados por loteamentos e empreendimentos imobiliários." (in http://www.olho-vivo.org/serradacarregueira.html )